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BRAVURA INDÔMITA

(True Grit – 2010 - EUA)
Direção: Joel e Ethan Coen.
Roteiro: Joel e Ethan Coen, baseado no livro de Charles Portis
Elenco: Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin e Barry Pepper.

Donos de uma carreira quase impecável – tirando alguns poucos tropeços como Matadores de Velhinhas – os irmãos Coen sempre chamam atenção por possuírem uma linguagem própria, personagens bizarros, diálogos engraçados e ótimos filmes. Bravura Indômita, adaptação do livro de Charles Portis (que já havia sido adaptado para o cinema em 1969) é o mais novo trabalho da dupla, que chega aos cinemas nessa semana (11/02).

Mais uma vez abordando o tema western (só que dessa vez de maneira clássica, ao contrário do ótimo Onde Os Fracos Não Têm Vez), o longa conta a história da pequena Mattie Ross que, após ter seu pai assassinado pelo covarde Tom Chaney, parte em busca de vingança, contratando o xerife Rooster Cogburn para auxiliá-la na caçada. Seu caminho se cruza com o oficial LaBoeuf, que também busca Chaney por crimes que ele cometeu em outro estado. A equipe, formada a contragosto, se embrenha em meio a território indígena na busca do assassino.

Inovando ao trazerem uma adolescente como personagem principal, os Coen acertaram em cheio na escalação da pequena Hailee Steinfeld para o papel de Mattie Ross. A jovem demonstra talento desde a primeira cena (quando é vista negociando o valor do enterro de seu pai), além de parecer bem a vontade mesmo, contracenando com atores consagrados como Matt Damon – no papel do LaBoeuf - e Jeff Bridges - como Rooster Cogburn, personagem que rendeu a John Wayne o Oscar de melhor ator em 1970. Bridges, fazendo aqui sua segunda parceria com os irmãos, é (de longe) o grande destaque do filme.

É impossível não comparar Rooster Cogburn com Jeffrey “O Cara” Lebowski. Com seu estilo desleixado e inconseqüente, o xerife é responsável pelos melhores diálogos do filme: “Não preciso comprar isso (whiski). Eu confisco”. Porém Cogburn também deixa claro porque leva a fama de o mais cruel entre os xerifes, motivo pelo qual Mattie lhe escolheu: conhecido por não fazer muitos prisioneiros, Rooster não hesita matar alguém a sangue frio, quando este está tentando impedir que ele consiga informações valiosas.

A excêntrica personalidade de Rooster é contrastada pelo jeito “certinho” de LaBoeuf. Movido pelo código de conduta dos Texas Ranger (polícia texana), o oficial exibe tanto orgulho em participar daquela polícia que chega a “fazer pose” quando vai exibir sua insígnia. O conflito entre os dois personagens gera algumas discussões hilárias. É interessante notar que, mesmo tratando o Ranger como motivo de piada, Cogburn não deixa de admitir a importância que o texano tem para o grupo. Algo que revela maturidade e seriedade por parte do xerife.

É uma pena que os diretores ainda caiam em alguns clichês, como citar o já gasto Salmo 23:4, ou utilizar planos que mostram cavalgadas ao pôr-do-sol e o céu da noite estrelado. Os dois pecam ainda mais por utilizarem uma montagem fraca e sem graça durante o terceiro ato, algo que prejudica o clímax. Porém nada disso chega a estragar o resultado final, que é, assim como a maioria dos filmes dos Coen, acima da média.


Nota: por Daniel Medeiros

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