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A TIRO DE PIEDRA

(idem – 2010 - México)
Direção: Sebastián Hiriart
Roteiro: Sebastián Hiriart e Gabino Rodríguez
Elenco: Gabino Rodríguez, Rogelio Medina, Alejandra España, Julián Silva, Montserrat Ángeles Peralta.

Antes do inicio da exibição de A Tiro de Piedra no Festival de Gramado, o diretor Sebastián Hiriart subiu ao palco para desculpar-se, pois, devido a um atraso no envio da película, teríamos que assistir a uma cópia em menor qualidade. Um DVD Screener contendo uma irritante marca d’água que dizia “Instituto Mexicano de Cinematografia”. Segundo ele, se um cineasta faz questão de se desculpar antes mesmo da exibição, isso pode não ser um bom sinal. Ainda assim, pediu que o público desse uma chance e deixasse que o longa os cativasse. “Cinco minutos” disse ele. “Deem cinco minutos para ele tentar conquistar vocês”.

Confesso que precisei de mais de cinco minutos. Muito mais na verdade. Talvez porque não conseguia me concentrar com aquela marca d'água chamando a minha atenção o tempo todo; ou talvez porque realmente cinco minutos é pouco tempo para esse filme conseguir cativar qualquer público. Contando com um primeiro ato extremamente tedioso, que mostra repetidas vezes Jacinto Medina (Gabino Rodríguez) andando sozinho de bicicleta, ou cuidando de cabras, em meio aos cenários áridos do interior do México. Tudo muda (e muda mesmo) quando ele encontra um chaveiro contendo uma gravura de uma cabana em meio às montanhas geladas do estado americano do Óregon. É então que o humilde mexicano inicia uma verdadeira odisséia, atravessando desertos e florestas, para tentar chegar até essa cabana.

Fazendo uso de um estilo documental, o diretor abusa de câmera na mão, cortes secos e luz natural enquanto segue seu “Homero mexicano” em sua jornada. E é durante essa viagem que reside a maior qualidade do longa: a evolução do personagem. Se, a principio, acompanhamos aquele jovem e ingênuo camponês confiando em estranhos e consequentemente sendo abusado e roubado; a medida que a projeção avança, vemos o Jacinto se tornando mais esperto. Agora ele revida quando necessário, torna-se mais violento e chega até a roubar, para não passar fome e frio.

Hiriart, porém, parece não perceber a força de seu personagem, ao empregar uma trilha sonora que remete diretamente às musicas de circo. A impressão que fica é que o cineasta considera o seu protagonista um palhaço, em meio àquelas situações. Além disso, o roteiro (escrito pela dupla) peca por criar situações extremamente altruístas, beirando à falsidade. Se fosse uma produção americana, receberia pesadas críticas ao mostrar os ianques como pessoas essencialmente boas, capazes de ajudar todos os mexicanos famintos que encontram, dando carona, levando-os para suas casas, alimentando-os. Sendo um filme mexicano, isso soa apenas irreal.

Nesse mesmo discurso que antecipou a exibição, Sebastián falou que preferia que o público amasse ou odiasse A Tiro de Piedra. Para ele não existe nada pior do que a indiferença, o meio termo. Chega a ser uma infeliz coincidência que ele caia exatamente no único lugar aonde não queria estar. Com um início péssimo e um final bom, o resultado acaba sendo apenas mediano.

Nota:(Bom) por Daniel Medeiros

Leia mais sobre o 39° Festival de Cinema de Gramado aqui.

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