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JEAN GENTIL

(idem – 2010 – México / Republica Dominicana)
Direção: Israel Cárdenas e Laura Amelia Guzmán
Roteiro: Israel Cárdenas e Laura Amelia Guzmán, com colaboração de Alejandro Andújar
Elenco: Jean Remy Gentil, Yanmarco King Encarnación, Paul Henri Presumé, Nadal Walcott, lys Ambroise.

O longa Jean Gentil, dos cineastas Israel Cárdenas e Laura Amelia Guzmán, é o retrato de uma sociedade que, mesmo sendo alfabetizados, bem instruídos e capazes de trabalhar, ainda vivem em situação miserável.

Essa é a realidade de Jean Remy Gentil, cidadão haitiano que, com o diploma em mãos, conhecimento em outras línguas e experiência trabalhista, não consegue nem ao menos manter o teto sobre a sua cabeça. Após ser despejado por atrasar o aluguel, Jean é levado pela vida – contando sempre com a ajuda de amigos e desconhecidos. Ele chega até o interior do país, onde vai trabalhar em uma construção, e passa a morar em um barraco abandonado, sobrevivendo um dia após o outro.

A ideia de sobrevivência, inclusive, é bastante presente durante toda a projeção. Desde os diálogos – quando questionado sobre como ele faz pra viver, Jean responde: “eu não vivo” –, até a concepção das cenas – são vários os momentos em que vemos Jean tentando apanhar uma fruta no alto da árvore, tomando banho, comendo, etc. São situações mundanas que, mostradas nesse contexto, acabam se tornando significativas na história.

Contando com uma narrativa bastante lenta e quase sem falas, Jean Gentil assemelha-se ao mexicano A Tiro de Piedra (visto na terceira noite do 39º Festival de Cinema de Gramado), porém, com uma grande diferença: enquanto um mostrava a busca por um objetivo (a cabana no meio da neve), a busca de Jean é apenas a já mencionada sobrevivência. Ele não tem grandes planos, não tem sonhos. Só quer viver.

A dupla de diretores, apesar de sua curta carreira, exibe extremo domínio e conhecimento da linguagem cinematográfica na sua concepção. Um belo exemplo disso é a cena em que duas pessoas conversam, distantes um do outros, em um grande Plano Geral. Reparem como os cineastas colocam seus personagens em pontos estratégicos do quadro: um embaixo, facilmente localizado, e o outro no chamado ponto de fuga (considerado o primeiro lugar da tela pra onde direcionamos a visão); facilitando a localização dos mesmos.

Entretanto, Cárdenas e Guzmán pecam ao perder o ritmo, principalmente no final do segundo ato, tornando o longa arrastado e cansativo – o que, infelizmente, acaba por comprometer o resultado final. Ainda assim, apesar dos defeitos, Jean Gentil é um belo trabalho e que merece ser visto.


Nota:(Bom) por Daniel Medeiros

Para ler mais sobre o 39º Festival de Cinema de Gramado, clique aqui.

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