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OLHE PARA MIM DE NOVO

(idem – 2011 - Brasil)
Direção: Claudia Priscilla e Kiko Goifman
Roteiro: Claudia Priscilla
Elenco: Silvyio Luccio.

Um filme que conte a história de um transexual masculino em sua busca por uma audaciosa cirurgia que visa possibilitar que ele engravide a sua esposa, ao mesmo tempo em que tenta resolver os problemas familiares causados por sua opção sexual; tem assunto de sobra para cobrir um longa-metragem em formato de documentário, certo? Esse não parece ser o pensamento dos diretores Claudia Priscilla e Kiko Goifman, já que o casal acaba prejudicando o seu trabalho ao inserirem outros temas e pesquisas que, além de não terem ligação direta com a trama do protagonista, não acrescentam em nada para elevar a qualidade da narrativa.

Contando a história do carismático Silvyio Luccio, Olhe Para Mim de Novo acompanha o transexual enquanto esse viaja pelo nordeste brasileiro, fazendo pesquisas sobre casos envolvendo minorias (gays, lésbicas, genética, etc.). Porém, a maneira vaga e sem sentido com que essas pesquisas são apresentadas dão a impressão que os cineastas não tinham material suficiente para manter o foco em Silvyio e colocaram outros conteúdos de maneira aleatória no filme, somente para preencher as lacunas.

Entretanto, basta assistirmos a cinco minutos de projeção para percebermos que isso não é verdade. Desde suas comparações entre mulheres e pombos, até sua afirmação de que é o homem perfeito – por conhecer problemas femininos como cólicas, TPM, além de saber do que as mulheres gostam – fica claro que Silvyio Luccio é material mais o que suficiente para horas de projeção. Falando abertamente sobre temas como sexualidade – descrevendo sua prótese peniana –, religião – contando da vez em que foi exorcizado pois sua opção sexual havia sido confundida com possessão demoníaca –; Silvyio ainda mostra-se um homem bastante tarado, olhando para todas as mulheres que passam pela rua e dando em cima de algumas (“Eu torci pra ela falar que era solteira, aí eu esticava o papo”).

Além das “pesquisas” sem necessidade, os diretores ainda fazem escolhas estéticas que, particularmente, não agradam, como ao investirem em longos planos do protagonista parado na beira da estrada – fazendo uma alusão entre estar à margem da pista e da sociedade. Tais planos, além de não atingirem o seu objetivo inicial, funcionam apenas para evocar uma falsa necessidade de transformar Olhe Para Mim de Novo em um road movie, algo que, novamente, não seria preciso caso mantivessem o foco no personagem principal. Sendo assim, um projeto que tinha um grande potencial, acaba se tornando raso, graças à sua pretensão de ser mais do que realmente é.

Nota:(Regular) por Daniel Medeiros

Leia mais sobre o 39º Festival de Cinema de Gramado aqui.

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