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11-11-11

(idem – 2011 – EUA/Espanha)
Direção: Darren Lynn Bousman
Roteiro: Darren Lynn Bousman
Elenco: Timothy Gibbs, Michael Landes, Denis Rafter, Wendy Glenn, Lluís Soler, Brendan Price, Lolo Herrero, Montserrat Alcoverro, Benjamin Cook, Salomé Jiménez.

Fazer um filme baseado na crença da repetição do número 11 que, supostamente, possui um significado oculto e representa uma entidade tentando se comunicar conosco, é uma ideia no mínimo curiosa. Melhor ainda, é conseguir agendar sua estréia para o segundo final de semana de novembro desse ano (11/11/11), o que, por si só, já gera uma boa publicidade. Além disso, se tal projeto levar o nome de Darren Lynn Bousman, responsável por 3 lucrativos capítulos da série Jogos Mortais, isso garantiria o seu sucesso nas bilheterias.

Esse, provavelmente, foi o pensamento dos realizadores de 11-11-11 ao planejarem o longa. Porém, por mais que os resultados recentes de bilheteria mostrem que essa linha de raciocínio é verdadeira, esperar que apenas os elementos apresentados no parágrafo anterior segurem uma hora e meia de narrativa mostra-se uma decisão mais do que equivocada.

Na trama, após a trágica morte da sua esposa e filho, o famoso escritor Joseph Crone (Timothy Gibbs) viaja até Barcelona para visitar o irmão (Michael Landes) e fazer companhia para o pai enfermo (Denis Rafter). Logo Joseph começa a ver estranhas aparições nos arredores da casa, sempre na mesma hora: 11:11. É então que o escritor percebe a repetição desses mesmos números em diferentes eventos de sua vida e passa a investigá-los, enquanto seu medo aumenta à medida que o dia do título se aproxima.

Ainda que o argumento pareça interessante, ele é mal aproveitado por Bousman. Acostumado a comandar a franquia estrelada por Jigsaw (onde as mortes são mais importantes do que a história em si), o diretor não consegue dar o mínimo de tridimensionalidade aos seus personagens, tornado-os apenas caricaturas – o que faz com que a afeição deles com o público seja inexistente –, algo auxiliado pelas atuações canastronas de todo o elenco.

Mais do que isso, o cineasta é incapaz de desenvolver sua narrativa (que deveria ser dividida em atos e planejada com crescente suspense), já que trata cada cena com um tom de suspense exagerado, criando um constante clímax durante toda projeção (reparem, por exemplo, como cada diálogo, até os mais banais, são acompanhados de uma música de suspense no fundo).

Contando ainda com uma desnecessária narração em off, o roteiro, também escrito por Darren, ainda apresenta algumas incongruências que nunca são explicadas: como a missa que, mesmo sendo realizada em Barcelona, é rezada inteiramente em inglês, sendo que todos os fiéis são espanhóis e alguns, como o próprio filme mostra, não conhecem nenhuma língua estrangeira. E nem o batido flashback explicativo ao final da projeção é suficiente para tapar todos os buracos do texto, que termina de forma abrupta e sem impacto algum.

Há dois anos, Roland Emmerich provou com seu 2012 que se apropriar de uma mitologia sem o mínimo de embasamento ou, pelo menos, um roteiro decente, é algo que não funciona – independente do peso que tenha o seu nome acima do título. Aparentemente, o inexpressivo Darren Lynn Bousman não aprendeu essa lição também. Resta saber qual vai ser a próxima crendice popular a ser explorada pelo cinema. Sugestões?

Nota:(Ruim) por Daniel Medeiros

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