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Crítica: Papai Noel às Avessas

Poucas pessoas, reais ou fictícias, conseguem ser mais desprezíveis e arrogantes do que Willie, personagem interpretado por Billy Bob Thornton em Papai Noel Às Avessas. Distorcendo totalmente a imagem do Bom Velhinho, Thornton mostra seu Papai Noel como um ladrão bêbado e um tarado sem escrúpulos. Tal abordagem distinta da figura natalina é não só um exemplo de coragem dos realizadores, como também um divertido filme de natal – ainda que não pelos motivos “corretos”.

Na trama, Willie é um ladrão de shopping centers que, no mês de dezembro, trabalha como papai noel para ter acesso aos códigos de segurança do local. Seu parceiro é um anão que trabalha como elfo (Tony Cox) e é responsável por desligar o alarme. Após beber todo o seu faturamento do último roubo, Willie é convocado para mais um trabalho de final de ano, porém sua atitude excêntrica chama atenção do chefe de segurança do local (Bernie Mac), que passa a vigiá-lo mais de perto. Ao mesmo tempo, ele faz “amizade” com um ingênuo garotinho (Brett Kelly), que pensa que Willie é o verdadeiro papai noel – algo que o ladrão prontamente vê como uma oportunidade para aumentar o seu lucro natalino.

Escrito pela dupla Glenn Ficarra e John Requa – responsáveis pela direção do ótimo Amor a Toda Prova –, o roteiro faz questão de pintar seu protagonista como uma pessoa detestável – sendo capaz, inclusive, de ter um ataque de raiva toda vez que chega perto de demonstrar qualquer outro tipo de sentimento. E, por mais que pregue, de certa maneira, o espírito de natal, o texto faz questão de manter-se fiel à sua narrativa, fazendo com que as mudanças do seu protagonista sejam condizentes com seu estilo de vida: em certo momento Willie afirma que bateu em uns garotos, mas que dessa vez foi por um bom motivo, o que o fez se sentir bem consigo mesmo.

E somente um ator tão canastrão quanto Billy Bob Thornton para conseguir (e aceitar) dar vida alguém assim. Sua aparência desgastada, a bebedeira constante e o fato de conseguir encaixar um palavrão em praticamente todas as frases que pronuncia, fazem dele o grande destaque do longa. Além disso, a fisionomia do ator contrasta com a aparência angelical e acima do peso do garotinho - que consegue trazer inocência e emoção a um personagem sem nome. Fechando o elenco, Tony Cox também chama atenção como o elfo linguarudo; e o falecido Bernie Mac está competente como sempre – o que é uma pena que alguém com tanto talento nunca tenha tido o reconhecimento merecido.

Dono de uma carreira curta e diversificada, o diretor Terry Zwigoff abandonou o estilo cult de Ghost World – seu trabalho anterior – para aventurar-se em uma comédia despretensiosa de humor negro. E nesse gênero, Zwigoff demonstra ter um tempo muito peculiar, alterando entre o estilo pastelão (com cenas com o personagem caindo ou batendo a cabeça em algum lugar), humor inteligente (o diálogo no carro é excelente) e ainda piadas de conteúdo adulto (a cena de sexo no provador feminino arranca risos desconfortáveis do espectador).

Papai Noel Às Avessas é um exemplo pouco convencional de filme que registra o espírito natalino passando uma mensagem positiva escondida em meio a xingamentos e bebedeiras. Um ótimo programa, bom de assistir em qualquer época do ano.

(Bad Santa – 2003 - EUA)
Direção: Terry Zwigoff
Roteiro: Glenn Ficarra e John Requa
Elenco: Billy Bob Thornton, Bernie Mac, Lauren Graham, Brett Kelly, Tony Cox,
John Ritter.


Nota:(Ótimo) por Daniel Medeiros

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