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CRÍTICA: 2 COELHOS

Um dos comentários mais comuns que se ouve em relação a 2 Coelhos, longa do estreante Afonso Poyart, é que: “nem parece filme brasileiro”. É engraçado reparar isso porque as mesmas pessoas que falam isso são aquelas que afirmam categoricamente que filme brasileiro “só tem palavrão, violência e favela”.

E o que essas pessoas parecem não notar é que tudo esses elementos que elas tanto repudiam são vistos aqui também. A única coisa de “diferente” que Poyart fez foi reunir esses elementos “clássicos” da nossa cinematografia contemporânea, subvertê-los, adicionar referências estrangeiras e, em meio a tudo isso, criar uma narrativa concisa (ainda que um tanto exagerada) e cativante.

A trama mostra Edgar (Fernando Alves Pinto), um sujeito na casa dos 30 anos que resolve armar um plano para conseguir uma bolada de dinheiro. Tal plano envolve – de alguma maneira que não fica clara a princípio – um perigoso bandido (Marat Descartes), um advogado (Neco Vila Lobos), uma funcionária da promotoria (Alessandra Negrini) e um deputado corrupto (Roberto Marchese). A ideia é interceptar uma transação financeira feita entre essas pessoas. Para isso, o “herói” conta com a ajuda de Velinha (Thaíde), um ladrão que o havia assaltado pouco tempo antes.

O roteiro – escrito pelo próprio diretor – se influencia em longas como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, de Guy Ritchie, ao mostrar diversas tramas paralelas que se fundem de uma maneira absurda e divertida. Não só isso, mas o estilo visual do cineasta inglês também serviu de inspiração na concepção de 2 Coelhos: o excesso de slow motion; as cores saturadas; a apresentação dos personagens por suas características; as subtramas; o roteiro que revela pouco ao espectador – prolongando o suspense. Está tudo aqui.

Outro cineasta bastante presente é Zack Snyder (300 e Watchmen). Seu estilo “visionário” pode ser notado principalmente nas cenas de animação que se passam na cabeça de Julia (Negrini) - que, por mais que sejam belíssimas sequências, não acrescentam em nada à narrativa. E quanto a essas cenas vale lembrar que, apesar da clara semelhança com Sucker Punch – Mundo Surreal (lançado em 2011), não se trata de plágio, já que o longa nacional foi filmado no final de 2009.

Falando assim, a impressão que fica é que 2 Coelhos não tem nada de “brasileiro”, o que não é verdade. Influências e referências são comuns no cinema, principalmente no americano – o que justifica porque tantos diretores estrangeiros são chamados todos os anos pra trabalhar em Hollywood. A diferença aqui é que Poyart sabe como brincar com as suas próprias origens. Se filme nacional “só mostra favela”, Poyart também mostra. Só que quando mostra, é com personagens ouvindo “Sou Foda” e discutindo sobre Big Brother.

E assim como cada um dos exemplos citados anteriormente, 2 Coelhos também tem seus defeitos – a maioria deles relacionados aos exageros do diretor. Porém não tem como negar que se trata de um belo exemplo do gênero de ação, independente do seu país de origem.

(idem – Brasil - 2011)
Direção: Afonso Poyart
Roteiro: Afonso Poyart
Elenco: Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Fernando Alves Pinto, Marat Descartes, Neco Vila Lobos, Roberto Marchese, Norival Rizzo, Thogun, Thaíde, Yoram Blaschkauer, Robson Nunes, Aldine Muller

Nota:(Ótimo) por Daniel Medeiros


Trailer:

2 comentários:

  1. Também nao acho que o filme seja menos brasileiras por ter referências americanas. Afinal o que nós (e a maior parte do mundo) assistimos? Cinema americano, oras. É normal que existam referências aos filmes formativos de um cineasta.

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  2. Adorei sua crítica... Assisti o filme e foi muito bom.

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