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Poder Sem Limites - Crítica

De uns tempos pra cá, os filmes de super-herói buscam adotar uma abordagem mais crua e realista. Desde que o “detetive” Batman fez seu retorno às telas, quase tudo o que foi produzido desde então tentou seguir essa linha – e aqueles que não a seguiram, na sua maioria, não foram bem sucedidos, como o recente Lanterna Verde. O mais novo capítulo nessa série de aventuras fantásticas ambientadas no mundo real é Poder Sem Limites, do estreante Josh Trank.

Utilizando a estética de “falso-documentário”, o longa conta a história de Andrew, um garoto deslocado e isolado que, com a mãe doente e o pai bêbado e violento, resolve filmar toda sua rotina. Certo dia, Andrew, juntamente com seu primo Matt e com Steve, o garoto mais popular do colégio, encontram uma cratera e, dentro dela, um estranho objeto que lhes confere superpoderes. Inicialmente, os garotos utilizam suas novas habilidades para se divertirem – levantando a saia das garotas e assustando as pessoas no mercado –, mas não demora muito para que eles percebam as consequências dos seus atos.

Sem empurrar lições de moral a cada cinco minutos, como fazia o Homem Aranha (“com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”), o longa de Trank consegue manter sua narrativa fluída, fazendo com que as dificuldades enfrentadas e a consequente necessidade da criação de um vilão se tornem algo consistente com a história contada. E chega a ser surpreendente o quanto o filme evolui em seu terceiro ato, mudando completamente a direção que a maioria das produções nesse estilo seguiria.

Porém o grande defeito do roteiro de Max Landis, filho do mestre de terror John Landis, é a estética utilizada. Se o estilo documental serve para nos aproximar dos personagens, ele acaba criando uma barreira na construção dos dramas pessoais dos mesmos. Além de nunca ficar claro porque Andrew decidiu filmar sua vida, a própria linguagem não deixa espaço para nenhuma outra explicação – o que faz com que qualquer tentativa de estudar melhor os personagens acabe soando falsa, como a conversa entre Andrew e Steve no carro. Mais do que isso, a escolha estética ainda cria a necessidade de justificar o fato de ter alguém filmando o tempo todo (e a garota do blog não é nada convincente).

E o próprio fato de utilizar várias câmeras é contraditório, já que, desde o início, o longa se apresenta como sendo um documentário feito pelo protagonista – o que não justificaria o uso de outras imagens que o personagem não teria acesso, como as das câmeras dos carros de polícia. Sendo assim, fica a impressão de que os realizadores não conseguiram contar a história da maneira que haviam planejado e precisaram improvisar. O que acabou não funcionando muito bem.

Entretanto, o mesmo não pode ser dito dos efeitos especiais, que, além de extremamente bem feitos, são introduzidas na trama de maneira orgânica e, por mais que sejam usados em praticamente todas as cenas, em nenhum momento chegam a sobrepujar a história. Inclusive, a própria ideia de Andrew poder levitar a câmera, algo que poderia ser apenas um arroubo estético, acaba se tornando uma das mais criativas, já que consegue não só justificar porque ele aparece em cena sem ninguém estar filmando, como confere alguns dos poucos momentos em que a imagem não treme na tela, o que chega a ser um alívio para os olhos.

Vale destacar também o ótimo trabalho de montagem de Elliot Greenberg, que consegue manter coesas as cenas de ação, em meio a tantas mídias utilizadas para filmá-las (desde câmeras de segurança até celulares). Greenberg, inclusive, foi o montador de The Poughkeepsie Tapes e Quarentena, dois filmes que também se utilizam desse mesmo tipo de narrativa, o primeiro de maneira documental e o segundo de maneira fantástica.

Apesar de tropeçar em sua própria pretensão, Poder Sem Limites comprova, mais uma vez, que é possível fazer aventuras de super-heróis de maneira realista. Vale agora esperar pelo próximo Superman, já que esse também vai procurar seguir essa linha.


(Chronicle – EUA – 2012)
Direção: Josh Trank
Roteiro: Max Landis
Elenco: Dane DeHaan, Alex Russell, Michael B. Jordan, Michael Kelly, Ashley Hinshaw, Bo Petersen, Anna Wood.


Nota:(Bom) por Daniel Medeiros

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