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Crítica - Raul: O Início, o Fim e o Meio

O cantor Raul Seixas é, sem dúvida, um mito da musica brasileira. E já estava na hora de sua vida e sua arte serem levadas aos cinemas. O trabalho recaiu então sob a responsabilidade de Walter Carvalho, experiente diretor de fotografia que já há algum tempo vem se aventurando também no comando de longas-metragens. A homenagem ao eterno “maluco beleza” veio na forma de um belo documentário (o terceiro de Walter, após Janela da Alma e Moacir Arte Bruta) que não só retrata o talento e importância de Raul, como faz um estudo de sua vida, suas influências, sua filosofia e, principalmente, sua música.

Assim como o próprio título sugere, Raul - O Início, o Fim e o Meio conta, por meio de depoimentos e imagens de arquivo, toda a sua trajetória desde a primeira banda, a ascensão, o sucesso, as várias mulheres, os excessos e sua trágica morte. Trazendo informações raras – como as primeiras gravações em áudio – e contando com a participação de diversos artistas/admiradores, como Caetano Veloso, Marcelo Nova, Tom Zé, entre muitos outros, o filme é um prato cheio para os fãs do cantor, fãs de cinema e entusiastas da música brasileira em geral.

Dentre os diversos depoimentos – família, amigos, colegas – um dos mais interessantes é do escritor Paulo Coelho. Parceiro de Raul desde antes da fama, o célebre autor define sua relação com ele como um casamento, que teve seus momentos bons e ruins e acabou para que cada um pudesse seguir seu caminho. Paulo não esconde a sua admiração pelo cantor, mesmo demonstrando pequenos toques de ressentimento – como quando afirma que, na ditadura, “quem foi preso fui eu”. Além dele, outro depoimento que traz informações interessantes é o de Claudio Roberto, compositor que também fez parceria com Raul e que, além de se orgulhar em ter ajudado a compor não só as letras como a melodia de algumas canções, ainda traz uma faixa inédita para o público.

Vale destacar também o excelente trabalho de montagem de Pablo Ribeiro – colaborador habitual do diretor –, que, em certo momento, cria uma belíssima cena em que mostra uma música inteira utilizando imagens retiradas de diferentes shows. Além disso, a escolha de não tocar as canções na íntegra – normalmente só toca o refrão – não só deixa a narrativa mais fluída como cria no espectador a vontade de revisitar os velhos discos do ídolo.

Sem esconder em nenhum momento os problemas com drogas e álcool do cantor – que acabaram lhe custando a própria vida –, Walter Carvalho cria uma figura humana do mesmo. Seu protagonista é extremamente talentoso, assim como é também uma pessoa cheia de defeitos. Sem admitir a conotação política de suas músicas ao mesmo tempo em que se intitula representante da contra cultura, Raul Seixas é uma figura complexa e contraditória. De moleque baiano fã de Elvis a patrimônio nacional, o artista tem uma trajetória impressionante e recebeu aqui uma obra à sua altura.

Nota:(Excelente) por Daniel Medeiros

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