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Crítica | Caça aos Gângsteres

Em Os Intocáveis, excelente filme de máfia dirigido por Brian De Palma em 1987, uma inusitada equipe é formada para prender o mais cruel e conhecido mafioso dos Estados Unidos: Al Capone. Substituindo a época da Lei Seca pelo pós Guerra, e Capone por Mickey Cohen, Caça aos Gângsteres parte da mesma premissa, mas com resultado bastante inferior.

Na trama, escrita por Will Beal (da série de TV Castle) com base no livro de Paul Lieberman, o sargento John O’Mara (Josh Brolin), recém retornado da guerra, encontra a cidade de Los Angeles sob o comando de Mickey Cohen (Sean Penn). Não se mostrando intimidado pela atual situação, O’Mara não hesita em desmantelar sozinho alguns negócios de Cohen e realizar diversas prisões, mesmo que seus prisioneiros sejam liberados em seguida. Sua atitude chama a atenção no chefe de polícia (Nick Nolte), que o convoca para liderar uma equipe especial cujo objetivo é acabar com os negócios e com o próprio Cohen.

Copiando a estrutura do mencionado Os Intocáveis, principalmente no que diz respeito à personalidade e o destino de dois coadjuvantes, o texto de Beal falha no desenvolvimento dos personagens. Afinal, o vilão é mau porque ele é mau (julga-se ser Deus e ainda quer mais, segundo definição própria); e os heróis são bons porque essa é a coisa certa a se fazer, e foi por isso (por um futuro melhor, também citação própria) que lutaram na guerra. E o único indício de tridimensionalidade em relação ao protagonista vem através da frase “a guerra acabou, pare de lutar”, que é repetida (ou martelada) duas vezes em menos de cinco minutos, por duas pessoas diferentes.

O texto ainda apresenta um amontoado de clichês e situações desnecessárias, tendo inclusive o “clássico” momento (no pior sentido da palavra) em que todo o grupo se junta em apoio ao herói e cada um diz: “eu vou com você”. E por mais que insira em certo momento uma discussão interessante sobre a moralidade daquela condição, em que alguém questiona “qual a diferença entre nós e eles?”, o próprio roteiro faz questão de responder essa pergunta ao mostrar, logo em seguida, uma explosão que causa a morte de diversos civis, novamente colocando a máfia como principal vilã da história – e, consequentemente, anulando a necessidade de tal discussão.

A própria direção de Ruben Fleischer (do divertido Zumbilândia) também faz questão de reforçar essa ideia. Ainda que se utilize de uma estilizada violência durante toda a projeção, o diretor opta por dar ênfase apenas nas mortes causadas pela máfia (a cena inicial, por exemplo), sem detalhar os assassinatos causados pelo esquadrão antigângsteres, que, conforme o próprio chefe de polícia instruiu, não devem fazer prisioneiros.

Com referências ao western, onde era “correto” fazer justiça com as próprias mãos, o filme consegue inserir divertidas sequências clássicas (dessa vez no bom sentido) do gênero, com direito a tiros em latas e personagens tentando arrancar a grade da cadeia para os colegas fugirem. Além disso, as cenas de ação, em especial a perseguição de carro com belíssimas tomadas aéreas, empolgam e compensam alguns dos equívocos de Caça aos Gângsteres, que se mostra, ao final, apenas um entretenimento divertido, passageiro e esquecível.

(Gangster Squad / Ação / EUA / 2013 / 113 min.)
Direção: Ruben Fleischer
Roteiro: Willl Beall, com base no livro de Paul Lieberman
Elenco: Sean Penn, Josh Brolin, Ryan Gosling, Emma Stone, Robert Patrick, Anthony Mackie, Giovanni Ribisi, Michael Peña, Nick Nolte.

  

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