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Terror | Existis e o Esgotamento do Found Footage

Existis e o Esgotamento do Found Footage

É uma sensação nostálgica ver o diretor Eduardo Sánches retornar ao subgênero found footage (filmagens encontradas) que ele mesmo popularizou com o incrível A Bruxa de Blair. Mas também é triste perceber que esse estilo narrativo que anteriormente apresentou ares de novidade, agora exibe sinais de esgotamento, que se refletem na qualidade do novo trabalho do cineasta, o terror Exists.

Escrito por Jamie Nash (Lovely Molly), o roteiro acompanha um grupo de jovens passando uns dias numa cabana no meio da floresta e fazendo vídeos para o YouTube (justificativa um tanto simplória para o uso diegético das câmeras amadoras). É então que, sem motivo aparente, eles passam a ser ameaçados por uma estranha criatura na floresta, que pode ou não ser o temível Pé Grande.

O primeiro problema do filme (pelo menos para o público brasileiro) reside exatamente na sua temática. Ao contrário da bruxaria de A Bruxa de Blair, dos extraterrestres do divertido Aterrorizados, ou dos fantasmas de Lovely Molly, o Pé Grande é uma criatura intrínseca na mitologia americana e canadense, e apesar de conhecida em todo o mundo, não tem grande impacto em outras culturas. É claro que não se pode condenar uma produção americana por contar uma história sem apelo para os brasileiros, mas essa escolha narrativa se mostra pouco favorável quando se leva em conta a abordagem do diretor ao tema trabalhado.


Se antes Sánches optou por transformar um filme de bruxaria em um estudo sobre o medo, aqui ele resolve abandonar toda a subjetividade que a trama poderia apresentar e entrega apenas mais um longa sobre monstros. Toda a originalidade outrora vista em seu início de carreira dá lugar a um amontoado de clichês e sustos previsíveis (como a primeira vez que é revelado o rosto da criatura), com personagens pouco interessantes correndo desesperados pela floresta e o espectador torcendo pro vilão.

Isso não impede, porém, que o diretor crie algumas cenas interessantes, justamente nos momentos em que opta por sugerir uma presença maligna, em vez de mostra-la. Tais momentos, porém, são raros e insuficientes para salvar o resultado do filme. Fazendo uso de múltiplas câmeras e trilha sonora extradiegética (características contrárias à essência do found footage), Exists não é um retorno de Eduardo Sánches ao que ele sabe fazer de melhor, mas sim um possível atestado de que esse gênero já deu o que tinha que dar. E se foi ele quem iniciou toda essa onda, talvez fosse uma boa ideia se ele também a encerrasse.

Infelizmente, não é esse caso.


(Exists | Terror | EUA | 2014)
Direção: Eduardo Sánchez
Roteiro: Jamie Nash
Elenco: Samuel Davis, Dora Madison Burge, Roger Edwards, Chris Osborn, Jeff Schwan, Denise Williamson, Brian Steele.

Trailer:



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