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Crítica | O Universo no Olhar



O embate entre ciência e religião é um tema comum no cinema de ficção científica, e já gerou ótimos exemplos como Contato (1997), O Homem da Terra (2007) e até o problemático Prometheus (2012). Outro excelente exemplar dessa temática, O Universo no Olhar (I Origins, 2014), novo trabalho do cineasta Mike Cahill (A Outra Terra), opta por um caminho diferente, ao defender a religião em detrimento da ciência, e mesmo assim entrega um resultado intrigante e inteligente, tanto do ponto de vista científico quanto religioso.

Escrito pelo próprio Cahill, o roteiro acompanha Ian (Michael Pitt), um biólogo molecular com fascinação por olhos que se apaixona pela bela Sofi (Astrid Bergès-Frisbey), uma jovem misteriosa cujas crenças vão de encontro a tudo o que Ian acredita e defende. Paralelamente, ele e sua assistente de laboratório, Karen (Brit Marling), desenvolvem um estudo que busca contestar todo o conceito do criacionismo. Porém, após algum tempo, Ian é apresentado a alguns fatos que podem fazê-lo contestar a sua própria crença científica.



"O que você faria se algo espiritual refutasse as suas crenças científicas", uma personagem pergunta ao protagonista, que, obviamente, sabe o que responder.E por mais que O Universo no Olhar estabeleça uma discussão entre essas duas vertentes, é visível que ele opta por uma abordagem religiosa. Elementos “místicos” são vistos (pelo público) durante todo o filme. Tais elementos, disfarçados de coincidências, vão desde uma estranha sequência de números, passando pela sua mania de tirar fotos dos olhos das pessoas, e até a presença de um padre no elevador. São situações aparentemente cotidianas que ganham um contorno místico quando colocadas em contexto.

Mesmo assim, o longa tem uma característica muito importante que é a de não tentar “converter” a sua plateia. Por mais que apresente uma visão específica, a ideia aqui não é dar resposta, mas sim fornecer as perguntas. Tanto é que o cineasta opta por apenas apresentar os fatos (ou “fatos”), dando ao espectador a possibilidade de interpretá-los da maneira que bem entender.



Cahill também demonstra um apuro estético muito mais definido do que A Outra Terra, seu trabalho anterior, em que o uso constante e irritante de câmera na mão surgia como uma muleta para um realizador iniciante e inseguro. Visualmente mais bonito, O Universo no Olhar contém belas cenas em contraluz (créditos ao diretor de fotografia Markus Förderer) e pelo menos uma sequência memorável, no momento em que um travelling circular revela a personagem da jovem atriz Kashish.

Mais do que isso, porém, a temática aqui é explorada de maneira mais segura, por um cineasta experiente, que demonstra pleno domínio da sua narrativa. Trata-se sim de um excelente filme, independente da sua crença.



(I Origins | Drama | EUA | 2014 | 106 min.)
Direção: Mike Cahill
Roteiro: Mike Cahill
Elenco: Michael Pitt, Brit Marling, Astrid Bergès-Frisbey, Steven Yeun, Kashish


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