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Crítica | Perdido em Marte



Perdido em Marte traz o retorno do cineasta Ridley Scott ao gênero de ficção científica, gênero esse que ele ajudou a definir com dois clássicos: Blade Runner, o Caçador de Androides (1979) e Alien, o Oitavo Passageiro (1982). Existe, porém, uma mudança drástica nesse seu novo trabalho. Sai o visual sombrio e o ritmo contemplativo dos títulos anteriores e entra um estilo bem-humorado e aventuresco, que, ao contrário de antes, apoia grande parte do sucesso do filme no carisma do seu protagonista.

Escrito por Drew Goddard (O Segredo da Cabana), com base no livro de Andy Weir, o roteiro acompanha o astronauta Mark Watney (Matt Damon, excelente) que, durante uma missão à Marte, é dado como morto e abandonado pela sua equipe, liderada pela capitã Melissa Lewis (Jessica Chastain). Acordando sozinho no planeta, ele precisa encontrar uma maneira de sobreviver no planeta deserto ao mesmo tempo em que a NASA, dando-se conta do seu erro, busca uma forma de resgatá-lo a tempo.



Alternando-se entre histórias paralelas que auxiliam a manter o ritmo da narrativa, o texto de Goddard acerta ao se basear em situações científicas para embasar tudo o que é apresentado na tela – outra diferença entre os demais filmes da carreira de Scott, em que essa preocupação era relegada a um segundo plano. Da mesma maneira, a opção de colocar o protagonista constantemente gravando um vídeo-diário não só supre a necessidade de mostrar o personagem se comunicando o tempo todo como o aproxima ainda mais do público.

O problema é que, à medida que a situação se agrava, mais e mais personagens são inseridos na história, e o roteiro não dá conta de desenvolver todos eles. Atores como Sean Bean e, principalmente, Kristen Wiig têm pouca importância, assim como todo o núcleo chinês da trama, que aparece em certo momento e logo é esquecido. Isso, porém, não chega a estragar o resultado, afinal o show aqui é mesmo de Matt Damon. Sua composição de Watney como alguém que se equilibra entre a descontração e a falsa displicência é o que carrega toda a narrativa.



Igualmente acertada é a inserção constante de referências à cultura pop, tornando a atmosfera do filme ainda mais divertida. As referências vão desde a escolha das músicas que compõem a trilha sonora diegética até piadas com O Senhor dos Aneis e Homem de Ferrotinha também uma piada envolvendo o Aquaman, que acabou ficando de fora do corte final.

Da mesma forma, Ridley Scott merece destaque pela reinvenção de estilo narrativo ao qual se propõe, em que saindo a densidade e grandiosidade característica das suas produções e entrando a leveza e descontração, pouco vistas até então. E essa mudança se mostra muito bem-vinda, pois evita a inserção de cenas de ação desnecessárias – como aconteceu em Prometheus –, reservando quase toda a ação para o incrível terceiro ato; além, é claro, de dar mais espaço para o seu protagonista brilhar.


FICHA TÉCNICA
Título original: The Martian
Gênero: Ficção Científica
País: EUA
Ano: 2015
Duração: 144 min.
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Drew Goddard
Elenco: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Michael Peña, Sean Bean, Kate Mara, Sebastian Stan, Aksel Hennie, Chiwetel Ejiofor, Benedict Wong, Mackenzie Davis, Donald Glover.

4 comentários:

  1. Eu simplesmente amei o filme, antes de tudo eu comprei o livro pra poder vir com uma carga maior com respeito ao filme, e o melhor, consegui uma sessão D-BOX, o que me ajudou muito na imersão, acho que alguns personagens como no livro como no filme realmente ficam de lado,mas o filme em si traz o velho desejo de sonhar, o velho desejo de sair do nosso berço inicial (Terra) e descobrir novos caminhos,foi umas das melhores atuações do Matt que vi em cena até hoje,conseguindo lidar muito bem com as "merdas" que o personagem sabe que pode acontecer durante a sua jornada de sobrevivência,com um senso de humor e otimismo invejáveis, é além do mais o filme e um prato cheio para aqueles amantes de ciência (EU!! \o/)......
    parei de te encher o saco por e-mail e vim te encher o saco aqui!!
    Abraçoo!!

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  2. P.S.:Esqueci de falar do roteiro de Drew Goddard que está espetacular!!!

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    1. Que bom que você gostou também. Fique à vontade para comentar sempre!
      Quanto ao roteiro, me falaram que ele tem muito do humor que o Drew Goddard já tinha desenvolvido na TV, em séries como Buffy e Angel. Como eu não assisti a essas séries, não tenho como comentar, mas me parece ser um humor muito característico mesmo.

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  3. Sim, demais mesmo,e esse humor também está presente no livro, o que eu achei um recurso fantástico pra tirar o peso científico e não ficasse uma obra chata, assim por dizer

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