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Crítica | Floresta Maldita



Floresta Maldita (The Forest, 2016) é um terror que trabalha com um tema muito interessante, mas que peca ao não saber desenvolvê-lo da maneira adequada, entregando um resultado que decepciona não apenas pelo que o filme é, mas também (e principalmente) pelo que deixou de ser.

O tema em questão é a floresta de Aokigahara, que fica base noroeste do monte Fuji, no Japão, e é conhecida por ser um local onde as pessoas vão para cometerem suicídio. A trama acompanha Sara Price (Natalie Dormer), uma mulher que viaja até o local em busca da sua irmã gêmea, Jess (também interpretada por Dormer), que foi vista pela última vez adentrando a floresta. Devido a “fama” daquele lugar, a polícia não considera Jess desaparecida, apesar dos apelos da irmã que afirma ter uma ligação psíquica (isso mesmo) com ela. Cabe então a Sara, com a ajuda de um repórter australiano (Taylor Kinney) e um guia japonês (Yukiyoshi Ozawa), entrar na temível floresta e encontrar a sua irmã.



Partindo do pressuposto de que a tal floresta é recheada de espíritos vingativos – afinal tratam-se de espíritos de suicidas –, o filme explora (ou tenta explorar) essa questão sobrenatural de maneira inteligente. Aqui, a floresta e os fantasmas servem para influenciarem negativamente as pessoas que adentram aquele lugar. Assim, a floresta distorce a realidade e expõe os sentimentos ocultos dos visitantes, fazendo com que, em um acesso momentâneo de loucura, eles cometam suicídio.

Existe aí um esboço de discussão psicanalítica, com a floresta sendo quase uma manifestação do subconsciente daquele que a visita. A ideia, em si, é muito boa, e o fato de essa floresta ser real torna-a ainda mais interessante. É uma pena, porém, que o diretor Jason Zada (curta Take This Lollipop) não consiga explorar nem 10% de toda essa potencialidade, entregando-se a sustos fáceis que – graças a um roteiro canhestro - muitas vezes nem fazem sentido: é risível por exemplo quando a personagem principal chega ao seu quarto de hotel e, pouco antes de deitar-se na cama, sai de novo para o corredor, somente para tomar um susto por lá.



Igualmente problemática é a (falta de) composição de Natalie Dormer para os papeis das irmãs, que diferem-se apenas pela cor do cabelo. Pior ainda são as deslocadas tentativas de humor, que mostram Sara interagindo com os japoneses. E é no mínimo estranho que o roteiro de Nick Antosca (A Casa dos Fundos), Ben Ketai (30 Dias de Noite 2: Dias Sombrios) e Sarah Cornwell gaste tanto tempo explorando um segredo do passado da protagonista, mas não forneça as informações mais básicas sobre a mesma, como qual é o seu emprego? Onde ela mora? Como a sua irmã conseguiu um emprego Tóquio?

Apesar de o clímax apresentar uma sequência muito bem construída, isso não chega a salvar Floresta Maldita do desastre total. Curiosamente, em 2015 foram produzidos dois filmes que tem Aokigahara como tema principal. O outro, o drama The Sea of Trees, foi massacrado pela crítica e vaiado na sua exibição em Cannes. Pelo menos para o cinema recente, essa floresta parece mesmo ser amaldiçoada.




FICHA TÉCNICA
Título original: The Forest
Gênero: Terror
País: EUA
Ano: 2015
Duração: 93 min.
Direção: Jason Zada
Roteiro: Nick Antosca, Sarah Cornwell e Ben Ketai
Elenco: Natalie Dormer, Taylor Kinney, Eoin Macken, Stephanie Vogt, Terry Diab, Yukiyoshi Ozawa, Noriko Sakura.

2 comentários:

  1. Depois de ter assistido Roboshark, péssimamente, dublado ontem, Floresta Maldita é um clássico, kkkk

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    1. Hahahaha, mas aí também depois disso qualquer coisa vira um clássico.

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