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Crítica | O Caseiro



O Caseiro é um filme de gênero em sua essência, e isso é tanto a sua maior qualidade quanto o seu maior defeito. Seguindo a estrutura de diversos suspenses e terrores norte-americanos, o segundo trabalho do cineasta Júlio Santi (O Circo da Noite) conta aquela velha história do homem cético chamado para investigar um caso que vai fazê-lo duvidar das suas crenças. E se a discussão entre realidade e fantasia, fé e ceticismo, já é conhecida, igualmente comum é a fragilidade com que o longa apresenta o seu terceiro ato, no qual é preciso escolher um lado nesse debate – e como na maioria das vezes, isso acaba sendo um pouco decepcionante.

Escrito pelo próprio diretor em parceria com João Segall (curta Cidadão Reformado), o roteiro acompanha Davi (Bruno Garcia), um professor de psicologia e autor de um livro que desmistifica as aparições fantasmagóricas. Certo dia, ele é procurado pela jovem Renata (Malu Rodrigues), que pede-lhe ajuda para investigar o caso da sua irmã, a pequena Júlia (Bianca Batista): a menina apresenta ferimentos e hematomas supostamente causados pelo fantasma de um antigo caseiro que habitou a sua casa há muito tempo... e que se enforcou lá. Apesar de parecer absurda, a história é corroborada pelo pai dela, Rubens (Leopoldo Pacheco), pela irmã dele, Nora (Denise Weinberg), e pelas duas outras irmãs da menina, Gabi (Victória Leister) e Lili (Annalara Prates).


Todos os elementos de um bom terror estão colocados cuidadosamente na narrativa de Santi: a casa de campo isolada – ao lado de um lago coberto de névoa –, um trauma recente na família – a morte da matriarca em um acidente de carro –, personagens misteriosos cujos segredos são revelados em doses homeopáticas, criancinhas que conversam com fantasmas e, é claro, um protagonista incrédulo e até um pouco arrogante. Porém, se todas as peças estão bem encaixadas, confesso que senti falta de um pouco mais de suspense e tensão, algo que me fizesse compartilhar a insegurança daquelas pessoas e me envolver mais com elas.

Mas se a ausência de suspense surge como uma opção consciente – e até louvável, por evitar sustos fáceis –, o mesmo não pode ser dito das reviravoltas que acontecem no terceiro ato, que parecem girar em torno do seu próprio eixo, sem nunca saírem do lugar. São reviravoltas que funcionam apenas para serem reviravoltas, quase como se estivessem deslocadas do restante da narrativa. E por mais que isso enfraqueça o resultado, não é suficiente para estragar todo o esforço do diretor e do seu ótimo elenco. Sim, O Caseiro tem lá os seus problemas, mas é também um exercício de gênero bastante competente e interessante.



Título original: Idem
País de origem: Brasil
Gênero: Terror/Suspense
Ano: 2016
Direção: Júlio Santi
Roteiro: Júlio Santi e João Segall
Elenco: Bruno Garcia, Malu Rodrigues, Bianca Batista, Annalara Prates, Leopoldo Pacheco, Victória Leister, Fabio Takeo, Roberto Arduin, Pedro Bosnich e Denise Weinberg.


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