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Crítica | Os Reis do Verão


Comédias sobre amadurecimento são quase um subgênero dentro do cinema independente americano, apresentando semelhanças narrativas independente da época em que foram realizadas. São obras que falam sobre o fim da inocência, sobre aquele inevitável momento em que deixamos de ser crianças e damos o primeiro passo rumo à assustadora vida adulta. Os Reis do Verão, comédia indie de 2013 disponível na Netflix, traz todos os elementos característicos de um filme sobre amadurecimento: problemas familiares, conflitos amorosos, responsabilidades, etc. Porém, há uma diferença crucial: seu protagonista não teme a vida adulta; ele a anseia.

Escrito pelo novato Chris Galletta, o roteiro acompanha o jovem Joe (Nick Robinson), que perdeu a mãe, não se dá muito bem com o pai (Nick Offerman) e sonha em sair de casa. Certo dia, ao voltar de uma festa cortando caminho através da floresta, ele descobre uma clareira e tem a ideia de construir uma casa ali, para que possa morar com o amigo Patrick (Gabriel Basso), que também tem problemas com a família – ele não gosta do fato de seus pais se preocuparem demais com ele. Os dois levam o plano adiante, acompanhados pelo estranho Biaggio (Moises Arias, de longe a melhor coisa do filme), que participa da empreitada simplesmente porque ninguém tem coragem de mandá-lo embora.


Joe deseja ser livre das regras impostas pelos adultos, e pensa que poderá ditar suas próprias regras uma vez que atinja a maturidade – ou melhor, não precisará seguir regra alguma. Ele não entende que tanto no mundo adulto quanto naquela sociedade utópica que ele propõe para si e para os amigos, as regras continuam a existir – sejam elas de conduta ou de sobrevivência. A vida na floresta obedece os princípios que regem a floresta. E por mais que as leis da selva sejam distintas das dos homens, elas são igualmente importantes para a sua sobrevivência. E é na sua percepção infantil a respeito da vida adulta, nessa sua falha em querer amadurecer antes da hora, que Joe coloca tudo a perder.

E dá para entender porque o protagonista não quer abandonar o seu paraíso. O cineasta Jordan Vogt-Roberts e o diretor de fotografia Ross Riege criam uma lógica visual que explicita a admiração dos personagens pela sua nova morada. Trata-se de um lugar belíssimo, constantemente iluminado pelo pôr-do-sol, onde esses recém-formados adultos podem brincar feito crianças. E não é nenhuma surpresa que quando as coisas não saem mais como planejado, o visual amarelado dê lugar a uma ambientação mais sóbria. Essa ligação entre o Joe e a natureza também é mostrada por meio da montagem de Terel Gibson, que trabalha com a associação de imagens entre a vida na cidade e na floresta, e demonstrando que a própria percepção da passagem do tempo parece ser diferente naquele local.

Uma agradável surpresa, Os Reis do Verão é um filme que transborda personalidade e apresenta uma assinatura muito presente do seu realizador. Aliás, seguindo uma nova tendência atual, Vogt-Roberts já prepara o seu primeiro blockbuster, o grandioso Kong: Skull Island. Só espero que ele consiga manter um pouco do seu estilo narrativo nesses projetos futuros.


FICHA TÉCNICA
Título original: The Kings of Summer
Ano: 2013
Gênero: Comédia/Drama
Direção: Jordan Vogt-Roberts
Roteiro: Chris Galletta
Elenco: Nick Robinson, Gabriel Basso, Moises Arias, Nick Offerman, Alison Brie, Erin Moriarty, Craig Cackowski, Nathan Keyes, Megan Mullally e Eugene Cordero.

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