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Crítica | Aliados


Novo trabalho do cineasta veterano Robert Zemeckis (Forrest Gump - O Contador de Histórias e A Travessia), Aliados narra o romance entre dois espiões durante a 2ª Guerra Mundial, e mostra a desconfiança do marido com a possibilidade de que sua esposa possa ser uma agente dupla. Porém, em vez de se focar no caráter investigativo da sua trama, o longa investe muito mais na relação dos seus protagonistas. E desta forma, o que era pra ser a sua maior qualidade torna-se, em vez disso, o seu maior defeito.

Escrito por Stephen Knight (Os Senhores do Crime), o roteiro acompanha o espião canadense Max Vatan (Brad Pitt, de Corações de Ferro) com a missão de assassinar um membro do partido nazista. Para isso, ele vai até Casablanca, onde conhece a sua "esposa”, Marianne Beauséjour (Marion Cotillard, de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge), membro da resistência francesa que já estava trabalhando infiltrada há algum tempo. Os dois treinam para sua missão ao mesmo tempo em que precisam passar a impressão de serem um verdadeiro casal.


Em certo momento, Marianne tenta seduzir Max, mas ele prontamente a afasta, dizendo que espiões que transam em meio a missões acabam mortos. Ela responde que o grande perigo da missão não é o sexo, mas sim se apaixonar – algo que, como vemos, está acontecendo com Max. É possível perceber, então, a maneira distinta como cada um encara o seu trabalho. Enquanto ele busca se focar na missão e ignorar os seus sentimentos, ela procura “manter as emoções reais”.

Toda essa primeira parte é recheada de insinuações. Desde o olhar dele enquanto ela troca de roupa, até a reação dela quando ele menciona alguém que a conhece. Algumas pistas falsas também são colocadas aqui e ali para alimentar o mistério. O romance cresce, e num toque melodramático, eles fazem sexo em meio a uma tempestade de areia. Ao final da missão, ele a pede em casamento. O tempo passa, os dois iniciam sua vida juntos e têm um filho. E é somente após tudo isso – ou seja, quase na metade do filme – que surge a possibilidade de Marianne ser uma espiã ao serviço da Alemanha.


A decisão de manter o foco no relacionamento dos protagonistas é louvável, mas não funciona. Brad Pitt e Marion Cotillard são atores sensacionais, e já fizeram trabalhos incríveis separados. Mas não juntos. Não há química alguma, logo não há envolvimento do público com a sua história. Desta forma, pude apreciar muito mais a segunda metade do longa, na qual Max investiga o passado de Marianne e aos poucos a desconfiança toma conta dele. Mas ao mesmo tempo que admirei muito mais essa segunda parte, passei a desgostar ainda mais da primeira, que soou lenta e arrastada.

Robert Zemeckis até faz o que pode. Como de costume, ele cria um clima fantasioso para o filme, que quase soa falso: um ataque aéreo se parece com fogos de artifício; um piquenique em família ao lado de um avião abatido parece ser uma coisa normal. Tudo opera dentro da proposta do diretor. Assim como as poucas sequências de ação, filmadas com segurança, sem apelar para a espetacularização – gosto particularmente da cena em que eles invadem uma prisão para interrogar um dos presos, na qual vemos os personagens caminhando em silêncio pelas sombras.

Momentos como esses até salvam o filme do completo desastre, mas não disfarçam desiquilíbrio evidente entre o melodrama e thriller de espionagem. Assim, Aliados se apresenta como uma proposta instigante, envolto em um desenvolvimento equivocado.


Título original: Allied
País: EUA
Gênero: Romance/Thriller
Duração: 124 min.
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris, Lizzy Caplan, Simon McBurney, Matthew Goode.

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