Crítica | Um Lugar Silencioso - 7 marte Crítica | Um Lugar Silencioso - 7 marte

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Crítica | Um Lugar Silencioso

Terror dirigido por John Krasinski é eficaz no uso do som para criar tensão. 

Crítica | Um Lugar Silencioso

Com exceção dos primórdios do cinema, quando O Fantasma da Ópera e Nosferatu vagavam pelos corredores silenciosos dos seus castelos, desde que foi inserido, o som representa um papel determinante no gênero de terror, sendo usado, em muitos casos, para amplificar a sensação de medo e/ou tensão. Primeira incursão do ator/cineasta John Krasinski (o Jim Halpert da série The Office) neste gênero, Um Lugar Silencioso exemplifica a eficácia do bom uso do som em uma obra de terror, ao mesmo tempo em que envolve o espectador numa história cheia de simbolismos, que fala sobre relações familiares, sacrifícios e superação de traumas.

Escrito pelo próprio diretor em parceria com Bryan Woods e Scott Beck (ambos de Nightlight), o roteiro acompanha uma família que vive em um mundo pós-apocalíptico dominado por estranhas criaturas que caçam guiadas pelo som. Krasinski é hábil ao apresentar o funcionamento daquele mundo por meio das imagens, uma vez que não pode fazer uso do recurso da fala – quase toda a comunicação da família é feita pela linguagem de libras. Assim, nós vemos como aquelas pessoas reorganizaram suas vidas criando ambientes isolados acusticamente, enquanto se preparam para o nascimento do seu novo filho.

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Aliás, o não dito tem mais peso nessa história, possibilitando que o espectador complete lacunas deixadas propositalmente pelo realizador. Por exemplo, fica implícito que a alimentação deles se resume a peixes, porque esse é o tipo de animal que escapa do ataque dos monstros, uma vez que estes não conseguem escutá-los – ao passo que o animal que faz barulho no teto da casa da família logo encontra o seu destino trágico. Já a comunicação com os outros sobreviventes, feita pelo fogo, serve apenas para explicitar o isolamento daquelas pessoas.

A narrativa por omissão também é aplicada às próprias criaturas. Por mais que Krasinski não as esconda do público, ele igualmente não as destaca. Os monstros são mostrados em planos detalhes das suas mãos, dos dentes e do gigantesco aparelho auditivo. Existem semelhanças entre este filme e o ótimo terror Ao Cair da Noite, especialmente na forma como explora o conceito do fim do mundo pelo ponto de vista de uma família isolada. Mas enquanto o longa estrelado por Joel Edgerton tinha uma visão pessimista acerca do apocalipse, Um Lugar Silencioso aposta numa abordagem agridoce envolvendo sacrifício e esperança.

Crítica | Um Lugar Silencioso

Isso porque a obra é eficaz ao explorar as metáforas possibilitadas pelo gênero de terror. O trauma experienciado pela família logo no início da projeção ganha, na figura dos monstros, um lembrete constante da luta, do medo e da coragem necessária para superar a perda. Da mesma forma, o silêncio ganha uma nova camada de interpretação, representando o silêncio de tudo o que não é falado entre eles – e é bastante significativo que um determinado personagem use a linguagem de libras, a linguagem do silêncio, para falar aquilo que ele não conseguia dizer em voz alta.

E por falar nisso, o silêncio – que não deve ser confundido com ausência de som – é explorado de maneira excepcional na narrativa. Criando tensão justamente pela necessidade de manter-se em silêncio, o diretor ainda usa um dos recursos mais batidos do gênero do terror a seu favor: quando necessário, ele utiliza os jump scares não apenas para causar um susto no público – apesar de isto ser um bônus –, mas também para explicitar a falta que o som faz naquele universo. Em tempos de ascensão de plataformas de streaming, Um Lugar Silencioso é, não apenas um ótimo filme, como um daqueles exemplos de obras que precisa ser visto – e ouvido – na sala de cinema.

Crítica | Um Lugar Silencioso

Crítica | Um Lugar SilenciosoFICHA TÉCNICA:
Título original: A Quiet Place
Gênero: Terror
País: EUA
Duração: 90 min.
Ano: 2018
Direção: John Krasinski
Roteiro: Bryan Woods, Scott Beck e John Krasinski
Elenco: John Krasinski, Emily Blunt, Millicent Simmonds, Noah Jupe, Cade Woodward, Leon Russom.

Assista ao trailer legendado de Um Lugar Silencioso:

3 comentários:

  1. Concordo e admiro seu olhar preciso. Bacana a opinião. Mas o festival de clichês e a péssima resolução do filme me deixaram um gosto amargo. O filme começa e se estrutura em torno de uma premissa muito boa, parcialmente bem explorada, com um casal de atores muito bons, economia nas locações e personagens (e adorei isso), mas não se decide quanto ao tom e talvez, quanto a qual é o seu possível público. Não é um filme ruim, e perto das produções recentes do cinema de suspense e terror, talvez seja um destaque bem vindo realmente.

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    1. Engraçado que eu gostei do tom do filme. É um pouco Spielberg na sua boa época. Eu vi um comentário em algum lugar de que esse filme é mais Spielberg do que o Jogador Nº 1, e concordo com isso.

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  2. Como termina?? Adoro spoiler...ainda vou acabar criando um blog só de spoiler...
    E atenção...não deixo de assistir um filme por causa deles...até pelo contrario...
    Então? Como termina?? hhehehe

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