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Crítica | Oz – Mágico e Poderoso

É uma tarefa bastante complicada, e um tanto ingrata, querer fazer um filme que se proponha (ainda que não abertamente, devido a questões contratuais) a ser um prelúdio de O Mágico de Oz, de Victor Fleming. Clássico indiscutível da história do cinema, o longa de 1939 quebrou barreiras ao se tornar o grande exemplo de como a cor pode ter um papel indispensável na narrativa cinematográfica (algo que o 3D vem tentando fazer atualmente, sem sucesso até então).

E quando eu digo que se trata de um prelúdio do filme, e não do livro que o inspirou, é porque é visível a tentativa do diretor Sam Raimi (da trilogia Homem Aranha) de fazer ligações com o material em que se baseia – algo visto já no início da projeção, quando o cineasta utiliza-se de uma imagem quadrada (4x3) e em preto e branco, contrastando depois com o colorido (e a tela maior) do mundo de Oz. Entretanto, o fato de Oz – Mágico e Poderoso fazer ligações com o longa original acarreta inevitáveis comparações entre os dois; comparações essas que, nesse caso, não são nada favoráveis.

Propondo-se a contar como o tal mágico chegou até a terra encantada de Oz, o roteiro, escrito pelo pouco expressivo Mitchell Kapner em parceria com David Lindsay-Abaire (A Origem dos Guardiões), acompanha o mágico charlatão e mulherengo Oscar Diggs (James Franco, mais canastrão do que nunca) enquanto esse ilude pequenas plateias em um circo itinerante que passa pelo Kansas no início do século passado. Quando foge as pressas depois de ser perseguido pelo marido de uma de suas amantes, Oscar embarca em um balão e rapidamente levanto voo, sem perceber que um tornado se aproxima. Preso em meio à tempestade e viajando em alta velocidade, o protagonista acaba indo parar num reino distante que, estranhamente, leva o seu nome. Lá ele se envolve com a bela Theodora (Mila Kunis), uma bruxa que lhe explica tudo sobre a lenda do salvador daquela terra, que desceria dos céus, libertaria o reino do domínio de uma bruxa do mal e, como consequência, herdaria o trono. Não demora muito para que a inocente bruxa caia sob seus encantos do falso mágico, enquanto este se encanta apenas com o tesouro que é relegado ao salvador, sem se importar com o fato de que ele talvez não seja tal pessoa.

Tratando-se de uma homenagem a um filme antigo, é justificável (ainda que não louvável) que o texto procure explicar muitos dos acontecimentos através de diálogos bastante expositivos. Nem por isso o roteiro deixa de ser esquemático ao extremo, chegando ao ponto de duvidar da inteligência do espectador ao inserir perguntas somente para reponde-las (um exemplo disso é o caso da menina paraplégica que, no mundo real, pede ao mágico que ele a faça andar novamente; o que é uma relação direta com a boneca de porcelana – dublada pela mesma atriz – que na sua primeira cena aparece com a perna quebrada, cabendo ao herói consertá-la). E é louvável que a dupla de roteiristas evite o uso de batalhas sem sentido em meio a sua trama – algo comum em fantasias recentes como Alice no País das Maravilhas e Branca de Neve e o Caçador –, optando por uma solução bastante interessante e condizendo com o material em que se baseia. Mesmo assim, não deixa de ser um “equívoco” narrativo que tal confronto tenha sido anunciado e preparado durante boa parte da projeção (com direito até a discurso motivacional pré-batalha) para que depois ele simplesmente não aconteça.

E por mais que mereça créditos por fazer uso de um humor físico e bastante infantil (algo raro hoje em dia e um dos méritos do longa de 1939), a direção de Sam Raimi se mostra falha ao preocupar-se mais com o visual do longa do que com a história sendo contada. Sendo assim, vê-se intermináveis travellings que passeiam pela floresta apenas para ilustrar maravilha dos efeitos especiais empregados e a quantidade de detalhes em cada planta ou animal feito digitalmente (aqui não existem pessoas vestidas de animais). Ainda que tais planos tenham a função de apontar o olhar maravilhado do protagonista em relação àquele mundo, a não existência de uma interação entre o personagem e o espaço (como é o caso da árvore que bate na mão de Dorothy quando ela tenta arrancar uma maça de seus galhos, por exemplo) acaba soando gratuita e desnecessária. Por fim, a própria inserção dos seguidores do herói (um macaco falante e a tal boneca de porcelana) nada mais é do que uma tentativa um tanto manipuladora de arrancar emoções do público, visto que os dois só estão ali por que são bonitinhos (de novo surge uma comparação inevitável com o original, onde cada um dos novos amigos de Dorothy tinha um motivo específico e pessoal para embarcar na jornada com ela).

Ao final, Oz – Mágico e Poderoso pode até agradar a criançada com seu visual colorido, humor leve e “bichinhos fofos”. Mas para um filme que se propõe a ser um elo com um verdadeiro ícone da sétima arte, ele não só não foi bem sucedido em sua proposta como, bem provavelmente, será logo esquecido pelo público e pelos amantes e estudiosos de cinema. O primeiro continua sendo um clássico, enquanto esse é (no máximo) apenas entretenimento.

(Oz - The Great and Powerful / Aventura / EUA / 2013 / 130 min.)
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Mitchell Kapner, David Lindsay-Abaire
Elenco: James Franco, Michelle Williams, Rachel Weisz, Mila Kunis, Zach Braff, Bill Cobbs, Tony Cox.



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