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Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

Filme apresenta referências à franquia clássica e fecha essa nova trilogia de maneira digna. 



Capacetes surgem em meio a uma floresta. Soldados aproximam-se de um grupo de inimigos numa trincheira. Os homens planejam o ataque. Um conflito sangrento tem início, dirigido com maestria pelo cineasta Matt Reeves (mesmo de Planeta dos Macacos: O Confronto). Ao final, resta contar os mortos e determinar o que deve ser feito com os prisioneiros. Apesar desta cena inicial, que parece ter saído de um filme sobre o Vietnã, o que falta neste novo Planeta dos Macacos é justamente A Guerra. A trama é muito mais intimista do que o título sugere.

Escrito pelo próprio Reeves ao lado de Mark Bomback, o roteiro se passa cinco anos após os eventos mostrados em O Confronto. Agora, César (Andy Serkis) apresenta uma aparência mais velha e carrega um olhar cansado. Conseguindo falar sem dificuldade, ele passa a demonstrar características cada vez mais humanas. Vivendo com a sua espécie escondido na floresta, ele enfrenta embates constantes com o exército liderado pelo Coronel (Woody Harrelson), com quem ele ainda insiste em tentar negociar a paz. Mas após um ataque no esconderijo dos macacos, César inicia a sua jornada de vingança.


Antes visto como um líder estrategista adorado pelo seu povo, aqui César prioriza a sua própria raiva, relegando a proteção da sua espécie ao segundo plano. Corpos de homens e de macacos são deixados pelo chão à medida que ele avança. Suas motivações não se distinguem mais daquelas de Koba (antagonista do longa anterior), algo que a narrativa faz questão de destacar ao colocá-lo como um fantasma que assombra o protagonista. Assim, aos poucos ele se vê assumindo o papel de vilão da sua própria história – e o mais incrível é que Andy Serkis consegue transmitir todos esses conflitos internos atuando através de captura de movimentos.

Mas enquanto César tem o seu arco dramático bem definido, o verdadeiro vilão desse filme tem um desenvolvimento mais bidimensional. Claramente inspirado no Coronel Walter E. Kurtz – um sujeito que se esconde na floresta e agrega vários seguidores à sua causa (há, inclusive, uma referência direta a isso numa pichação na parede, onde lê-se os dizeres "Ape-ocalypse Now") –, o personagem vivido por Woody Harrelson também traz consigo algumas semelhanças com os skinheads extremistas, tanto na sua aparência quanto na convicção de que é preciso purificar a raça humana para que ela possa sobreviver. E é nesse extremismo que ele perde toda sua racionalidade.


Outras questões pontuais incomodam um pouco. A trilha sonora as vezes parece destoar do que a imagem está mostrando, e não de uma maneira proposital. O ritmo é excessivamente lento a partir da segunda metade. E apesar de Reeves construir belíssimas sequências de ação, como o plano aéreo que passeia por cima campo de batalha ou o exército de macacos que surge da névoa, estas são poucas e muito espaçadas ao longo da narrativa. Já o final, mesmo sendo anticlimático, encaixa-se dentro da proposta dos realizadores de ligarem as pontas soltas com o clássico de 1969.

Assim, diversas questões abordadas naquele filme são vistas aqui, como o fato de os humanos começarem a perder a habilidade de falar. A temática da escravidão entre espécies também é discutida, ainda que de forma inversa (homens escravizando macacos, e não o contrário). Por fim, a famosa frase gritada por Charlton Heston na praia, quando ele culpa os humanos pelo fim da humanidade, é reforçada novamente. Desta forma, Planeta dos Macacos: A Guerra cumpre a promessa iniciada no primeiro filme – que era a de mostrar o declínio da sociedade humana e a ascensão da civilização símia – de maneira mais do que satisfatória. Pode não ser o melhor capítulo desta nova trilogia (o segundo ainda é meu favorito), mas é um final digno.


FICHA TÉCNICA:
Título Original: War for the Planet of the Apes
Gênero: Aventura
País: EUA
Ano: 2017
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Mark Bomback e Matt Reeves.
Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Amiah Miller, Terry Notary, Ty Olsson, Michael Adamthwaite, Toby Kebbell, Gabriel Chavarria, Judy Greer, Sara Canning.

Um comentário:

  1. Na minha opinião, essa trilogia esta sendo a melhor da década, se não a melhor dos últimos tempos. Uma história bem amarrada, onde todas as pontas soltas do filme de 1968, e seus subsequentes, são amarradas. De todos os três, o segundo filme, foi o que eu sai do cinema de boca aberta e tipo:"caraca, o que foi isso que eu acabei de ver!", para mim ele foi o melhor em questão de ação e todo aquele universo sombrio e desconhecido por parte dos macacos, pois não sabíamos o que esperar deles. Esse último para mim é o mais profundo e emocionante, sendo o que te faz refletir mais tempo, sobre o que o ser humano se tornou, e como a comunidade dos símios, se uniu, e buscou se isolar da maldade do homem. Vemos como a amizade e lealdade são pontos chaves neste último, nos mostrando que quem tem amigos de confiança enfrenta qualquer batalha. Vemos também que quando somos exposto ao limite de tristeza e ódio, como conseguimos perder a cabeça e agir por impulso, vide Caesar e o Coronel, ambos movidos por puro ódio e sensação de vingança. Mas Caesar tinha o contrapeso de Maurice, Rocket e Luca, que buscaram a todo momento trazer ele de volta a sua racionalidade, e sem contar também Nova, que aparece nesta obra de arte de forma sútil e conquista todos com sua inocência e pureza, perante todos os problemas que surge ao longo da trama. É íncrivel como Nova e Maurice se identificam um com o outro, o envolvimento e emoção que ambos transmite ao público, algo lindo de se apreciar. Outro ponto que vale a pena ressaltar é a aparição de Bad Ape, que surge para quebrar aquele clima pesado e tenso, e de forma pontual e incisiva, traz momentos de risadas em meio a um clima sombrio de ódio e vingança. Ao mesmo tempo que conseguiu sobreviver a ira do homem, com seu sentido de sobrevivência, se demonstra ingenuo demais perante algumas situações, vendo que isto é ótimo para a trama, pois traz consigo uma leveza. Entre outros pontos que o filme tem de positivo, que se eu for escrever aqui, vai dar pelo menos duas páginas. Mas para mim o filme só pecou em um um quesito, o título do mesmo, que para mim não encaixou com o enredo, pois quem for esperando que haverá uma guerra de humanos e macacos, irá se decepcionar um pouco, o filme anterior tem mais ação e mais sangue derramado, do que este em si, este o sangue derramado são de personagens pontuais, que dão um peso ao filme. Este filme se trata mais das guerras particulares que Caesar e o Coronel enfrentam, cada um com sua motivação. Vá ver o filme com o intuito de ver fortes emoções externadas mais pelos macacos, e poucas vezes por humanos. Vá no intuito de se colocar na posição dos macacos,e com isso enfrentar com eles todos os dramas, que querendo ou não seu lider os coloca, mas além de tudo sabendo que um líder jamais abandona sua equipe, e que fará de tudo para que eles possam enfim viver livres no "Planeta dos Macacos"

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